Nossa eterna Julia Child

Cheia de personalidade, Julia Child é a minha inspiradora maior na arte culinária e como ser.
Ela foi uma mulher brilhante em sua integridade. Uma apaixonada esposa que de tanto amar a vida, viu novos caminhos a desvendar, não importando a sua idade, cultura ou situação financeira. Ela resolvia tudo sem perder a pose.
Separei um vídeo que agrada muito por sua maneira de ser e lidar com antigos conceitos.
Prestem atenção quando ela virar a panqueca de batatas. E aprendam com o seu dizer: “-Lembre-se. Se você está sozinha na cozinha, quem vai ver?”

Com sua doçura e espontaneidade, ela introduziu receitas francesas nos Estados Unidos com sorrisos soltos, e dedicou muito do seu tempo a ensinar que é fácil cozinhar, só basta um pouco de humor e truques para aprimorar suas receitas.
Estou certa que a melhor receita que ela nos deu foi a de viver feliz, encontrar saídas, surpreender quem você ama, decorar sua casa com aquilo que você é, sejam corações de papéis ou utensílios culinários que ela expunha nos quatro cantos de sua cozinha.
Ela ensinou o essencial. E que dezembro traga a vocês, leitores queridos, maravilhosos momentos de comunhão e felicidade plena. Fartura tanto na mesa, quanto nos sentimentos mais sinceros que temos. Gratidão.

J.

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Une Grande Couisine pour tous, Louisette Bertholle, 1976

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P1010988Une Grande Couisine pour tous é um livro maravilhoso escrito por Louisette Bertholle e publicado em 1976. Ele tem 639 páginas com receitas da clássica e verdadeira cozinha francesa. Este exemplar é em versão original, francês…e é muito detalhado. As receitas são bem explicadas e folhar o livro por si só já é uma viagem gastronômica. Dá vontade de correr para o supermercado em busca dos ingredientes e se trancar na cozinha…
Louisette e Simca pertenciam ao clube gastronômico Les Cercle de Gourmettes em Paris. Quando Julia Child passou a frequentar esse clube em 1950, as três se conheceram e tornaram-se amigas e parceiras. Com gostos e interesses em comum, abriram uma escola de culinária, L’Ecole dês Gourmets…e assim história continua, numa efusão de amizade e conquistas no palco gastronômico.
Louisette

Felicidades, querida Louisette

Porque hoje é aniversário da Louisette, nossa colaboradora deste blog, resolvemos publicar um retrato lindíssimo da Julia Child que representa bem o senso de humor, a energia positiva, a vitalidade e muitas outras qualidades inerentes às de Louisette.

Gostaríamos aqui de lhe dar parabéns e dizer tudo o que desejamos a você. Mas isso já fizemos, e achamos um desperdício deixar que essa data especial passe, sem contar aos nossos caros leitores que pessoa maravilhosa você é, porque é bela e porque é uma inspiração diária para nós.

De início, vem-nos à memória sua determinação e sua inteligência. Poderia falar por horas e até escrever livros sobre gastronomia, viagens, casamento. O modo como encara a vida é excepcional, vive cada momento a realizar aquilo que serve à sua família, com profundo ardor e sensibilidade. Forma laços entre as pessoas com uma facilidade indescritível, tem um apetite voraz por todas as formas de arte e é curiosa, muito curiosa, o que explica a sua criatividade, o legado da sua carreira e seu insaciável interesse por ser autodidata em muitos requisitos. Essa vocação é um de seus dons brilhantes. O que se designa a aprender faz de uma forma elegantemente estupenda, com o espírito de uma jovem mulher adulta.

E na preciosa essência, o romance. Ao seu lado, um grande companheiro, que a cuida muito bem, a encoraja e a adora. O amor e o respeito mútuos nos faz compreender porque é louca por ele e vive a enchê-lo de mimos e carinhos.

Pronto, contamos.

Bom dia!

100 anos de Julia Child

Hoje, dia 15 de agosto, Julia Child completaria 100 anos.
Este blog a condecora por sua estupenda arte de viver.

Mais que escritora e apresentadora de TV, Julia Child deu importância ao que temos de melhor e mais precioso: a vida humana.
Foi uma mulher integral, porque preservou uma grande quantidade de valores brilhantes. Cultivou a paixão aos ideiais, aos desafios, a renovação, ao aprimoramento pessoal. Manteve-se leal dentro de si, ao companheiro, as amigas, a sua casa, e se tornou uma figura notável e até moderninha para a época. Fez suas escolhas sem perder de vista o que realmente importa: A família e a saúde. E se manteve ativa para tentar outras coisas enquanto viva, provando ao mundo que, não importa quão bom seja o seu jeito, você não pode estar sempre certo. E se você compreende os sabores, saberá que toda comida é boa quando é feita e saboreada no seu país original e na temporada devida. Com seu entusiasmo pela comida, seu sorriso no rosto e sua piscada de olho certamente aproximou alguns corações ao seu.

Hoje, em que tão poucos preservam tais virtudes, sua energia continua mobilizando mais corações pelo mundo. Acredito realmente nisso.

Minha manhã de hoje foi despertar bem cedo, alongar-me, olhar para a chuva, agradecer, desjejuar em boa companhia e ir na feira da praça.
Em memória a Julia Child, ainda quero ouvir Beatles, inventar uma dancinha nova enquanto preparo um jantar com aquilo que estiver no melhor da época. Se possível, comer os meus favoritos figos maduros frescos, impossível descrever porque sempre os quero, não os esqueço e, cujo sabor me alegra por não compreender nem imaginar seu exótico sabor. Acredito que é o meu elixir da imortalidade. Que contente estou por viver, e pelas figueiras.

Ainda em razão do aniversário dessa grande mulher, hoje compartilho algumas falas sobre comidas, de um escritor mestre – Lin Yutang. Para ler e reler!

Sobre ser o que se come:
“Os pais tratam sempre de obter as boas graças da ama-de-leite e de tratá-las regiamente, pois compreendem que a saúde da criança depende da disposição, da felicidade e da vida geral da sua ama. Pari-passu, deveríamos dar a nossos cozinheiros, que nos alimentam, o mesmo regio tratamento, se nos interessa a nossa saúde tanto como a de nossos filhinhos. Se um homem sensato, uma linda manhã, estendido no leito, contar nos dedos quantas coisas da vida lhe causam em verdade prazer, descobrirá invariavelmente que a comida é a primeira. Portanto, a prova invariável para saber se um homem é avisado e sensato consiste em verificar se tem boa comida na sua casa.”

Os chineses não fazem distinção alguma entre comida e remédio. Sucede assim, o primeiro livro chinês que se conhece sobre cozinha, foi escrito por um médico imperial da Corte Mongólica, em 1330, e considera essencialmente a comida como regime de saúde, apresentando essas afirmações preliminares: “Quem queira cuidar bem da saúde deve ser frugal nos seus gostos, proscrever suas preocupações, temperar os desejos, conter as emoções, ter cuidado com a sua força vital, poupar as palavras, considerar desprendidamente o triunfo e o fracasso, ignorar as penas e as dificuldades, deixar de lado as doidas ambições, evitar grandes prazeres e os grandes aborrecimentos, acalmar a vista e o ouvido, e ser fiel no seu regime interno. Como se pode assim adoecer, se não se cansa o espírito, nem aflige a alma?”

Para mim, a filosofia da comida reduz-se a três coisas: frescura, sabor e contextura. O melhor cozinheiro do mundo não pode preparar um prato saboroso a menos que tenha coisas frescas que cozinhar, e qualquer cozinheiro dirá que a metade da arte de cozinhar reside na compra.

Para o comum das gentes, cozinheiros de si mesmos, quem tem sua horta ou vive no campo pode estar certo de que dispõe da melhor comida, embora não tenha o melhor cozinheiro.
Pela mesma razão, deve-se provar cada comida em seu lugar de origem antes de pronunciar um juízo sobre ela.

A contextura do alimento, no tocante à macieza, elasticidade, fragilidade e suavidade, depende sobretudo da graduação do calor do fogo. Quanto ao sabor, há duas espécies de comidas: as que se servem melhor no seu próprio molho, sem adulteração, e as que sabem melhor quando combinadas com o sabor de outra comida. Há na natureza certos sabores que parecem feitos um para o outro e alcançam seu mais alto grau de deleitabilidade unicamente em recíproca combinação, tirando sabor ao outro e lhe emprestando o seu.
É o que acontece entre o figo e o queijo de cabra.

Julia (honrosamente)