100 anos de Julia Child

Hoje, dia 15 de agosto, Julia Child completaria 100 anos.
Este blog a condecora por sua estupenda arte de viver.

Mais que escritora e apresentadora de TV, Julia Child deu importância ao que temos de melhor e mais precioso: a vida humana.
Foi uma mulher integral, porque preservou uma grande quantidade de valores brilhantes. Cultivou a paixão aos ideiais, aos desafios, a renovação, ao aprimoramento pessoal. Manteve-se leal dentro de si, ao companheiro, as amigas, a sua casa, e se tornou uma figura notável e até moderninha para a época. Fez suas escolhas sem perder de vista o que realmente importa: A família e a saúde. E se manteve ativa para tentar outras coisas enquanto viva, provando ao mundo que, não importa quão bom seja o seu jeito, você não pode estar sempre certo. E se você compreende os sabores, saberá que toda comida é boa quando é feita e saboreada no seu país original e na temporada devida. Com seu entusiasmo pela comida, seu sorriso no rosto e sua piscada de olho certamente aproximou alguns corações ao seu.

Hoje, em que tão poucos preservam tais virtudes, sua energia continua mobilizando mais corações pelo mundo. Acredito realmente nisso.

Minha manhã de hoje foi despertar bem cedo, alongar-me, olhar para a chuva, agradecer, desjejuar em boa companhia e ir na feira da praça.
Em memória a Julia Child, ainda quero ouvir Beatles, inventar uma dancinha nova enquanto preparo um jantar com aquilo que estiver no melhor da época. Se possível, comer os meus favoritos figos maduros frescos, impossível descrever porque sempre os quero, não os esqueço e, cujo sabor me alegra por não compreender nem imaginar seu exótico sabor. Acredito que é o meu elixir da imortalidade. Que contente estou por viver, e pelas figueiras.

Ainda em razão do aniversário dessa grande mulher, hoje compartilho algumas falas sobre comidas, de um escritor mestre – Lin Yutang. Para ler e reler!

Sobre ser o que se come:
“Os pais tratam sempre de obter as boas graças da ama-de-leite e de tratá-las regiamente, pois compreendem que a saúde da criança depende da disposição, da felicidade e da vida geral da sua ama. Pari-passu, deveríamos dar a nossos cozinheiros, que nos alimentam, o mesmo regio tratamento, se nos interessa a nossa saúde tanto como a de nossos filhinhos. Se um homem sensato, uma linda manhã, estendido no leito, contar nos dedos quantas coisas da vida lhe causam em verdade prazer, descobrirá invariavelmente que a comida é a primeira. Portanto, a prova invariável para saber se um homem é avisado e sensato consiste em verificar se tem boa comida na sua casa.”

Os chineses não fazem distinção alguma entre comida e remédio. Sucede assim, o primeiro livro chinês que se conhece sobre cozinha, foi escrito por um médico imperial da Corte Mongólica, em 1330, e considera essencialmente a comida como regime de saúde, apresentando essas afirmações preliminares: “Quem queira cuidar bem da saúde deve ser frugal nos seus gostos, proscrever suas preocupações, temperar os desejos, conter as emoções, ter cuidado com a sua força vital, poupar as palavras, considerar desprendidamente o triunfo e o fracasso, ignorar as penas e as dificuldades, deixar de lado as doidas ambições, evitar grandes prazeres e os grandes aborrecimentos, acalmar a vista e o ouvido, e ser fiel no seu regime interno. Como se pode assim adoecer, se não se cansa o espírito, nem aflige a alma?”

Para mim, a filosofia da comida reduz-se a três coisas: frescura, sabor e contextura. O melhor cozinheiro do mundo não pode preparar um prato saboroso a menos que tenha coisas frescas que cozinhar, e qualquer cozinheiro dirá que a metade da arte de cozinhar reside na compra.

Para o comum das gentes, cozinheiros de si mesmos, quem tem sua horta ou vive no campo pode estar certo de que dispõe da melhor comida, embora não tenha o melhor cozinheiro.
Pela mesma razão, deve-se provar cada comida em seu lugar de origem antes de pronunciar um juízo sobre ela.

A contextura do alimento, no tocante à macieza, elasticidade, fragilidade e suavidade, depende sobretudo da graduação do calor do fogo. Quanto ao sabor, há duas espécies de comidas: as que se servem melhor no seu próprio molho, sem adulteração, e as que sabem melhor quando combinadas com o sabor de outra comida. Há na natureza certos sabores que parecem feitos um para o outro e alcançam seu mais alto grau de deleitabilidade unicamente em recíproca combinação, tirando sabor ao outro e lhe emprestando o seu.
É o que acontece entre o figo e o queijo de cabra.

Julia (honrosamente)

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